08 fevereiro 2009



"Eu fiquei num coma eminente, pois a dor que se instalava dentro de mim era maior do que a força – que eu queira ter – para reagir, para me levantar daquela cama e te mandar pro inferno, a atitude mais próxima dessa foi querer ir ao banheiro e ficar lá sozinha, sentindo a água escorrer nos meus ombros. Mas você se encontrava na porta a me olhar, talvez sentisse tesão ao ver o sabonete se deslizar pela minha pele.E por isso eu não vou te pedir desculpas. Porque mesmo que alguns inconscientes, os meus atos, todos eles foram com o único objetivo de te trazer pra mim. E se nesse percurso houve arames farpados que resultaram em arranhões não há nada que eu possa fazer para impedir o sangue. Pedir-te desculpa a essa altura anularia todo meu propósito. Que era justamente o de ficar com você e isso incluía as partes ruins também.E por isso eu não vou te pedir desculpas. Porque mesmo que alguns inconscientes, os meus atos, todos eles foram com o único objetivo de te trazer pra mim.E isso foi o pior de tudo e só por isso eu te odeio. Odeio-te porque aquele covarde não era você.Aquele que estava encarando aquele dia como um dia qualquer. Não você que eu achava que conhecia, não você que me falava aquelas coisas ao pé do ouvido enquanto existia amor na nossa relação. Mas eu imagino que não dava mais para você. Porque ela estava voltando e você tinha que resolver tudo antes dela chegar. Antes de ela bater na sua porta, antes dela te beijar nos lábios e dizer que morreu de saudades. Antes de você perceber que tudo ficou intacto desde que ela se foi.
Hoje eu li todos os seus posts, eu queria exorcizar minhas psicoses, eu queria saber quando foi que eu deixei você entrar novamente. E se você entrou na minha vida foi porque havia uma porta aberta e eu a deixei que entrasse. Mas eu sou assim mesmo, e descobri o que antecede o meu vício em desprezo. Eu sou aberta demais. Eu quero todos os abraços, todos os beijos, tudo aquilo que me faça sentir acolhida no colo de alguém. E eu sei que deveria saber medir as coisas, mas eu não consigo. Eu não consigo separar essas coisas e guardá-las em tapplewares no freezer. Eu não gosto de comida requentada e nem sei fazer em pequenas quantidades para uma pessoa só. Estou sempre achando que a fome é maior. E me fodo. Nos final das contas eu sempre me fodo.
E cada linha que eu lia eu me sentia cada vez mais como uma intrusa no meio da sua história. Quando foi que eu me enfiei nisso tudo? Quando foi que eu perdi a consciência da intromissão e me deixei acreditar que sempre estivera lá? Eu não sei. O que eu sei é da raiva absurda que eu estou sentindo. Eu queria te dizer “Eu espero que você se foda! Eu espero que você caia nesse abismo que eu caí e que você estrepe toda a cara”. Eu queria te dizer isso porque eu me senti a merda de um estepe, a segunda opção, uma porcaria de um caça-níquel. E eu deixei pra dizer isso só no final porque eu sabia que conforme eu escreveria dentro de mim se organizaria os sentimentos, cada dor em seu devido lugar. Porque esse é meu jeito de lidar comigo mesma. Esse é meu jeito de escarafunchar tudo dentro de mim.
Eu descobri que eu queria sim que você se ferrasse, mas eu também descobri que esse desejo era de um ego estropiado. Era o meu orgulho sussurrando a te rogar pragas. Eu não quero te odiar por aquilo que eu esperava que você fizesse, por aquilo que eu queria ouvir e que não me foi dito, afinal não era para esperar mais nada além de algumas horas, não é mesmo?”

G.M.E

E esse é um dos motivos de agora existir tanto desprezo!
Parabéns meu caro, você acabou de fazer uma troca incrível, um amor por um total desprezo pela sua pessoa. (Y)

2 comentários:

Luciana Andrade disse...

Bela,
Amores vão e vem! Siga sorrindo!

Welker disse...

Amores são finitos e multiplos. Flechas ainda haverão de cair... ;)