10 março 2009


"É a certeza da eterna presença
da vida que foi, na vida que vai
é saudade da boa, feliz cantar

Que foi, foi, foi,
foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente a.....mar"

Lembro-me como se fosse ontem, eu revirando as caixas.
Desesperada, não sabia o que faria ao ler novamente as cartas, que estavam tão intactas, exatamente como ele me deu.
Respirei, abri com uma raiva, que seria capaz queimar todas as cartas e todos os objetos que estavam dentro daquela caixa, só com o rancor que eu tinha no meu olhar.
Tinham poucas cartas, sete no máximo. Mas tinham bilhetes, daqueles que nós trocávamos na sala de aula, assim que nos conhecemos. O colar que você comprou em uma viagem, com uma pedra verde e dizia que tinha se lembrado de mim, por lembrarem os meus olhos.Me lembro da surpresa que você me deu, quando no cinema, no escuro você tirava aquele embrulho da bolsa, pequeno, singelo e uma vergonha nos teus olhos de dizer o motivo de ter lembrado. Bateu-me uma saudade, uma saudade pura de tudo o que nós vivemos. De como tudo tinha sido lindo, aos meus olhos. De como tudo tinha sido bom, por mais que brigássemos. Éramos felizes, fato!
Não teria como aquelas palavras serem mentiras, você dizia que eu tinha te ensinado tantas coisas, das suas passagens pelo vácuo, da paixão que você não imaginava sentir, das intermináveis horas que passávamos no telefone, nem que fosse só para dizer que estávamos com saudades e o "te amo".Então, não achava certo, eu não poderia acreditar no que os meus olhos viam, no que os meus ouvidos escutavam. No que as nossas atitudes estavam fazendo com todas as nossas lembranças. Minha mágoa era tanta, que resolvi rasgar as nossas fotos, mesmo sabendo que eu tinha uma pasta no computador com mais de 100 fotos nossas, algumas suas que eu tirava e você nem desconfiava. Como eu achava lindo aquele sorriso espontâneo, aquele jeito de menino ao falar besteiras que muitas vezes até me irritava. Mas ainda guardavam todas elas. Sabia que um dia eu queria rever. Por mais que a minha raiva fosse enorme, tentei me conter. Pensei, repensei e rasguei, sem dó nem piedade. Logo em seguida resolvi juntar todos os pedacinhos sem faltar nenhum. Mesmo sem ter coragem de juntar todos eles. Apenas guardei, ainda está lá. Em pedaços, mas não colados. Depois de uma semana vi o quanto eu tinha sido tola de ter a capacidade de rasgar as fotos e nem ter a coragem de jogar fora ou queimar alguma delas. Assumo! Foi falta de coragem. Como você tinha feito. Eu tive raiva, desejei a sua infelicidade. Dizia que não era justo comigo, te amar tanto e você conseguir ignorar todos os meus pedidos de voltar. Como ele poderia ter me esquecido daquele jeito tão rápido?Como ele conseguiu se envolver com alguém tão depressa? Logo ele, que não conseguia esquecer alguém fácil, que não conseguia desistir definitivamente de alguém, enquanto existisse amor.
Me lembro do seu amor anterior a mim, o quanto tinha sofrimento em seu olhar. E o quanto eu tinha vontade de arrancar a tua dor, a tua saudade que não era eu. Afinal, eu sempre estava lá, eu sempre estive. Será que ainda lembras, disso? Desde o momento que eu te vi, eu sabia que você seria alguém muito importante em minha vida, e não estava enganada. Hoje me lembrei quando você me disse que eu tinha sido a única garota que você planejava futuro, filhos, família e etc. A leveza que eu senti não teria como explicar em palavras. Mas nós tínhamos que estragar tudo, com infantilidade e brigas. Hoje nem mantemos contato, hoje preferimos não nos esbarrar na rua. Medo, ódio, desprezo ou outros motivos de não querer nem olhar um para a cara do outro. A minha vontade agora é de dizer;"Obrigada querido, você exerceu muito bem o cargo de melhor amigo, namorado, companheiro, de primeiro amor. (mesmo com os defeitos) o seu tempo comigo já foi bem cumprido, agora eu entendo que é a sua hora de encantar outro coração."

Só há carinho agora, só há saudade de um tempo que não tem como apagar, e que as lembranças ruins fiquem em um lugar que eu visite pouco. Porque de você, só quero lembrar coisas boas, do amadurecimento que você me trouxe, desde o dia que você resolveu ir embora. Mas agora eu tenho a preferência de me manter longe, eu não posso estragar mais as nossas lembranças. Não dessa vez! :*

3 comentários:

Jéssica Souza disse...

Eu,geralmente,procuro manter as lembranças de tudo que me acontece,mesmo as lembranças de momentos de sofrimento,tristeza,decepção...Porque o que fica depois de superar a dor,não é a raiva,não é o rancor,mas a certeza de que eu vivi o que tinha que viver,que me dei 100%,que fiz o que tinha que fazer,se não deu certo,a consciência tá tranqüila,eu fiz a minha parte,mesmo que pra mim tenha sido TUDO,e pro outro NADA!Sempre procuro tirar lições até das coisas ruins.Às vezes,o desgaste,o sofrimento por tentar esquecer algo nem vale a pena,só nos faz lembrar e sofrer mais,nos culpando por uma tentativa frustrada.O melhor é deixar as coisas acontecerem naturalmente,nada de remexer o passado e ficar se lamentando.Deixe que o tempo cure ;]

D'angelo disse...

Putzzzz, bem o que eu sinto. Eu digo uma coisa, a fila anda depressa não anda?
Tomara que sim. Ai de mim!!!

Welker disse...

Lembranças só servem para mostrar que vivemos a vida da maneira mais simples. Se apegar a elas seria um jeito de mostrar o quanto apaixonada por ela você é... gente assim tende a ser mais sensível.

ah, só uma divagação a parte, não liga não... :B