26 março 2009


Eu pedi tanto para acabar esses sentimentos, essas saudades que me acompanhavam em todo o lugar que eu fosse, em cada espaço da minha casa, em qualquer lugar que você já havia freqüentado comigo que chegava a doer. Eu pedi aos céus, aos amigos, aos terapeutas, aos familiares que todos me ajudassem, que ninguém tocasse no seu nome, que eu não conseguisse me encontrar com você ocasionalmente, que ninguém me convidasse para lugares onde soubessem que você ou ela estariam, que eu não tivesse mais vontade de te procurar em ligações, em cartas, que eu parasse de escrever tanto por um amor que não havia mais reciprocidade. Eu fui até onde eu pude e até onde não dava também, eu ultrapassei do meu amor próprio por um amor que tinha sido dedicado a você e mais ninguém. Eu pedia e torcia para que tudo isso passasse logo. Eu não estava satisfeita com os caminhos que a minha vida tinha tomado. Era como se todas as bombas da minha vida tivessem explodido a partir do momento que você me disse, que não me queria mais. Eu me sentia uma das pessoas mais infelizes do mundo, eu contava todas as minhas frustrações para terceiros e queria que eles olhassem com pena, porque era assim que eu queria me sentir, entendida. Eu estava em um estado lamentável e me sentia melhor quando eu ouvia alguém me dizer que você não me merecia, que eu sempre fui muito boa para você. E que você não prestava para mim e que você vivia julgando os meus erros, e não conseguia enxergar os que você estava cometendo comigo. (mesmo sabendo de tudo isso, queria apenas ouvir variadas vezes, talvez assim ficasse gravado em meu cérebro e eu entendesse que eu realmente era tudo aquilo que me diziam.) Depois de longos meses, passando por isso diariamente, sem nenhuma pausa, sinto o meu corpo repousar, sem dor, sem saudade, sem vícios e sem vontade alguma de te procurar.
Não que isso seja ruim, mas é como se eu estivesse mais vazia do que antes.
O amor foi embora depois de tanto penar, da maneira mais cruel de um coração se curar, com cicatrizes que eu sinto que não vão sumir.
Não sinto falta das dores, mas sim do coração pulsar e eu sentir como se não coubesse mais em meu peito.
Não sei mais o que fazer, não sei a quem procurar, as decisões a serem tomadas sempre gera um conflito maior na minha cabeça. A solidão que fazia morada em mim deve estar escondida em algum lugar que eu ainda não sei a onde, mas que aparece assim, me pegando no susto, me fazendo dar chance a alguém que não tem chance alguma comigo, ela vem assim vez ou outra, quando a carência resolve me visitar, e não adianta fechar as portas, as janelas elas sempre arrumam um jeito de entrar.
Eu que vivi de sentimentos desde que eu me entendo por gente, sempre tive namoradinhos que me mandavam cartas e ursinhos de pelúcia, e ainda nem sabíamos escrever direito, com tantos e tantos erros de português, só saia certo o “Te amo” e eu nem sabia o que era amar, (porque isso eu só aprendi com você) mas eles me traziam aquele frio na barriga e hoje não sinto nada. Não importa a quantidade de caras que eu me envolva ou que eu tente me apaixonar, ou eu insista para que isso aconteça. Tornei-me uma pessoa fria, que duvida a todo momento do amor que os outros dizem sentir por mim. Generalizei todos os homens e não gosto disso, para ser sincera sempre critiquei quem fazia isso e hoje me igualo a todas elas e queria deixar de sentir.

2 comentários:

D'angelo disse...

A dor faz isso com as pessoas. Olha, eu generalizei tanto que já não penso que os homens não prestam. Pra mim, o ser-humano não presta. Uma hora ele te mostra isso da maneira mais aterrorizante possível.
Desculpe, só sei compartilhar da sua dor, nada de palavras bonitas.

Mustafa Şenalp disse...

Çok güzel site.:)