18 março 2009


Ontem, estava em meu quarto com um cigarro aceso, presenciei até chegar ao fim.
Traguei com a maior força que os meus pulmões conseguissem puxar.
Queria ver até onde as cinzas alcançariam, não iriam passar do chão, de fato.
Eu esperava que elas chegassem até o inferno, só por elas me lembrarem você.
Lembrei-me de uma cerveja que possuía na geladeira, deveria estar estupidamente gelada, pois faziam alguns dias que se encontrava por lá. Ainda sim, queria uma bebida mais forte, que amargasse, era assim que eu estava me sentindo, amarga.
Liguei o rádio, mesmo com um mp3 por perto, queria escutar alguma música que eu não esperasse. Foi cômico, quando eu escutei Rita Lee cantando, bem logo uma das nossas músicas. (Meu bem você me dá, água na boca....) resolvi abrir a janela, o cheiro do cigarro não poderia ficar impregnado em mim, como você ficava em meus pensamentos. Logo, veio àquelas lembranças que me perseguiam em qualquer canto que eu passasse, em qualquer relacionamento que eu me envolvesse. Lembrei-me imediatamente o modo como a gente namorava no escritório, colocando essas músicas para que todos pensassem que nós estivéssemos fazendo algo no computador, onde na verdade, nos amávamos.
Eu contemplava as estrelas que estavam tão distantes de mim, e comecei a contar todas elas, mesmo sabendo que seria impossível chegar a um número exato, ou não me perder na contagem, se pudesse pega-las, as roubaria e colocaria em um pote, caixa, ou qualquer outro objeto que pudesse ser envolvido com um dos cadeados mais seguros que pudessem existir. Porque foi ontem, que eu me deparei com uma lembrança boa, de duas pessoas em uma rede observando atentamente as constelações. Você me dizia baixo, quase sussurrando, que enquanto eu conseguisse olhar as estrelas e me lembrasse de você, de nós dois.Haveria amor nos nossos corações.E ontem eu olhei demoradamente, eu contei, fiz tudo o que pude. Elas nunca foram tão dos meus olhos, quanto às de ontem, e você não estava, o amor não permanecia mais entre nós dois.
E as estrelas ainda estavam lá, esperando novamente aparecer para mais outros casais, trazendo lembranças para outras pessoas assim como tinham trazido para mim. Talvez você esteja olhando a mesma que eu nesse momento, e nem chegue a se lembrar de mim..
E eu não posso fazer nada com as “nossas” estrelas, porque eu sei que pode demorar o tempo que for, mas um dia chega a hora delas morrerem.
Assim como o seu amor por mim morreu.

4 comentários:

D'angelo disse...

Sábias palavras. Parece que estamos vivendo tudo muito parecido. Espero que fiquemos inteiras.....bjooo

Welker disse...

Eu nunca entendo ironias... seu blog se chama "com gelo e sem afeto", mas tem textos sempre falando sobre o amor... me chame de burro, por favor. :B

Milton Raulino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Milton Raulino disse...

Primeiramente, obrigado pela visita Juliana. Que bom que gostou do texto! Da proxima vez, tentarei me controlar e escrever um não tão grande! rsrs
Gostei muito do seu texto; já me peguei muito nesse mesmo papel, olhando as estrelas, pensando em alguém... Mas mesmo que não haja mais amor, as estrelas ainda conseguiram lembrá-lo. Talvez ainda exista algo dentro de vc. O que seria?? Só vc sabe e só vc precisa saber. Assim vc saberá o que fazer das estrelas... e de vc mesma! :**