01 abril 2009


Cabelos escuros e levemente ondulados nas pontas. Mexia sua cabeça de um lado para o outro, ao mesmo tempo em que cantava e dançava chamando atenção. Ela olhava fixamente com seus olhos ao nada, e às vezes cruzava em olhares que outros a estavam dando. E movia os lábios de acordo com a música.
Percebiam a moça, via como ela se soltava. A dança no mínimo para ela seria um ritual de purificação. E ela não ligava para o que pensavam ao ver, ela subir e descer, ir para um lado e para outro. Remexer os quadris e quase parecer uma louca. Afinal, sentia uma química nas descidas até o chão, nos seus pés que se mexiam de acordo com o samba e nos entre laços nos passos do forró.
Não era o álcool que tinha feito resultado. Era a alegria guardada, os momentos que ela queria ter vivido e não viveu. O tudo que ela viveu e não queria ter vivido. Tudo o que ela queria estava sendo representado, alí na dança, na mesma dança desenfreada. Amanheceu, e saiu do local só quando os seus pés não resistiram a mais alguns movimentos. A noite foi dela, e ninguém conseguiu estragar.

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