08 outubro 2011

Medo de se apaixonar.




Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.
Fabricio Carpinejar

30 setembro 2011



"E quanto à beleza? Você acha que ele é um componente importante nas relações?

- Eu acho que a beleza das palavras é fundamental. Se você sabe falar no ouvido, no ritmo certo do vento, fazer pausa, criar melodia, você vai se tornar automaticamente bonito. Porque a mulher fecha os olhos para sentir prazer, a voz são os olhos abertos da mulher."


Fabrício Carpinejar

24 agosto 2011

Amor tranquilo, coração em paz.



Perdi a conta das vezes que eu falei o quanto coisas mornas me causavam tédio, o quanto relacionamento sem frio na barriga e sem expectativas não me enchiam os olhos. Após tanto tempo considerando isso uma verdade irrefutável, eu venho me retificar. Não há nada mais agradável do que ter sido escolhida no meio de tantas para ser a única, de receber um sinal de vida apenas por saudade, e mesmo que o coração não esteja eufórico, ansioso e amedrontado por amor, saber que é ele que está do outro lado, do meu lado, dentro de mim é uma das sensações mais calmas e seguras que eu já senti.
Nada mais seguro do que se sentir feliz sem precisar necessariamente do outro, mas escolher ele todos os dias para participar da sua vida. Sim, porque mesmo com todas as diferenças, com o histórico de vida que certamente não nos daríamos chance, ainda escolhemos ficar juntos, moldando, cedendo e tendo a certeza que isso é válido. Não importa se não for para sempre, já é inesquecível reencontrar um amor de infância e torná-lo maduro.



Após 14 anos, voltamos a comemorar o nosso 1º mês de namoro! :)


14 julho 2011

Eu quero é amor.

Assisti esse vídeo e achei que merecia ser compartilhado.
Tive a mesma descoberta da Fernanda Mello e ela conseguiu se expressar divinamente!
"Descobri que gosto mesmo é do tal amor, da paixão não!"
Enfim, assistam e espero que vocês gostem! :)


10 julho 2011

Gostando de mim.



Já tomei algumas taças de vinho, ligo o som e Caetano está aqui me dizendo “Só vou gostar de quem gosta de mim.” e nada mais importa além do meu desejo de dizer que as coisas caminharam de uma forma inesperada. Agora estou em um lugar muito mais tranquilo, seguro e acolhedor.       

Achei as respostas das coisas que eu nunca tive coragem de me perguntar. Não existe mais a pressa em me dar respostas nem em me fazer perguntas. A minha única pressa é em ser feliz! Estou serena como eu nunca tive antes e isso se tornou uma felicidade muito mais respeitável do que qualquer outro motivo eufórico, apenas por eu não ter deixado ninguém fazer isso por mim. :)

08 abril 2011

Tempo e distância.

Eu queria entender as vezes que eu coloco um trecho de Caio aqui, sabendo que eu poderia escrever e ficar tão mais sincero. Acho que as coisas parecem menores quando não sou eu que escrevo.
É, pensando bem é isso que eu quero, coisas menores e assim eu me frustro menos.  
Copio e colo para não ser tão sincera comigo mesma, essa é a verdade.


"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."


Caio Fernando de Abreu

22 fevereiro 2011

"É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."  

Caio Fernando de Abreu


E a vida como sempre, sendo irônica e mostrando como o imprevisível consegue ser ainda mais bonito.

04 fevereiro 2011


"Fico quieto. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, "embonitar" a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito. Sei que é complicado, mas contar falsifica, é isso que quero dizer."
Caio Fernando de Abreu 

26 janeiro 2011

O amor que eu pretendo ter.


Não sei quando irás chegar a minha vida e tampouco sei se eu vou estar preparada para te receber. Mas estou ansiosa com a sua chegada. Tenho tentado ocupar a minha vida para que eu não perceba o quanto você faz falta.
E não importa quantos amores vieram antes de ti e nem todas as vezes que eu achei que eles seriam você, não importa quantas lágrimas derramei e quantos medos eu já tive.
Variadas vezes tentei me convencer que o amor exatamente recíproco não existe, que é sempre algo meio unilateral, que a gente sempre se decepciona por criar expectativas. Um dia planejamos e no outro dia é a gente tentando colocar outros planos em cima dos que tínhamos certeza que seriam realizados.  Então, a única coisa que nos resta a fazer é não dar a indevida importância. Acredito que essa seja a parte mais difícil, mas a vida acaba tendo a obrigação de fazer com que tenhamos outros em cima deles.
Já errei tantas vezes e todas essas vezes eu quis desistir e voltei atrás, mas torço e rezo para que só dessa vez eu acerte. Só dessa. 
Nem sei se eu já te conheço, se eu já te vi, se já nos acariciamos. Talvez eu tenha certeza quem você seja e eu não queira enxergar, não me permita enxergar. Mas quero estar bem quando você chegar, quero que você me toque como ninguém nunca chegou a tocar, que as minhas inseguranças sumam e que eu finalmente possa te fazer feliz como eu sempre desejei fazer a alguém que eu amasse. 
Que o muito que eu sempre tentei dar de mim, seja o suficiente para você querer ficar.
Te espero meu amor, desculpa se eu ainda te confundir no meio dos que ainda possam aparecer. 
Vou continuar esperando o nosso encontro e finalmente me sentir amada, dessa vez estando certa.


Beijos calorosos e repletos de amor te aguardam.

25 janeiro 2011


"Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser."